“Sala de Espera” traz reflexão sobre o abandono da mulher com câncer


Por Ascom em 11 de março de 2020

“Até 2030, a incidência de câncer terá aumentado em 50% no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Precisamos falar sobre o câncer”. Com essa informação e esse chamado, Shirley Vieira abriu o bate-papo do Projeto “Sala de Espera” desta quarta-feira (11/3).

Shirley Vieira, presidente, diretora e assistente social da casa de acolhimento a pessoas com câncer, Casa do Caminho, veio à sede I da Defensoria Pública em Belo Horizonte para conversar com os assistidos sobre a doença e sobre o abandono da mulher portadora de câncer, enquanto eles aguardavam atendimento.

Ela observou que há poucos anos os cânceres mais comuns e conhecidos eram de mama e de próstata, mas que hoje em dia é sabido que a doença pode acometer todos os órgãos e que sua incidência tem ficado cada vez mais frequente.

Hábitos alimentares que fazem com que as pessoas “descasquem pouco e abram muitas embalagens”; estresse; depressão; tabagismo, abuso de bebidas e vícios em geral; e o sedentarismo foram apontados pela assistente social como principais fatores causadores da doença, que podem ser evitados com a mudança do estilo de vida.

Ao falar especificamente sobre o acometimento do câncer na mulher, ela destacou a importância do autocuidado e autorrespeito. “As mulheres querem dar conta de tudo, cuidam de todos, mas não param para se cuidar. Até que ela pifa, até que a doença chega”, afirmou.

Segundo Shirley, o abandono da mulher começa por ela mesma. “Se cuidar não é ir ao salão e ficar bonita por fora, mas sim se conhecer, se respeitar, se amar e cuidar da saúde. Preocupa-se muito com o físico e pouco com o interno. É necessário se perguntar: eu estou me cuidando verdadeiramente? ”, disse.

Ela observou que, geralmente quando diagnosticada com câncer, a mulher desenvolve um preconceito com ela mesma, o que dificulta  encarar a doença emocionalmente, gerando uma situação interna de abandono.

O abandono dos companheiros é real e pode ser dimensionado pelos números apresentados pela assistente social. “Das 1.400 mulheres acolhidas pela Casa do Caminho, de 2019 até o momento, apenas quatro foram acompanhadas ou visitadas por companheiros”. O tempo de permanência médio de permanência das mulheres é de dois anos.

“É um momento de muita vulnerabilidade da mulher, sua situação emocional está muito frágil e ela sofre abandono, primeiro por ela mesma e depois pelo companheiro”, lamentou Shirley.

A assistente social comentou que o fato de a mulher doente, geralmente, se colocar sem segundo lugar, incentivando o homem a priorizar a manutenção normal da rotina, como se a doença dela não merecesse atenção e prioridade, é outro fator gerador do abandono.

Segundo ela, muitas vezes, o abandono também vem dos filhos que, “ficam frágeis nessas situações, principalmente em caso de doença da mãe”.

Ao falar sobre a necessidade de prevenção do câncer feminino, Shirley enfatizou os cuidados médicos, como consultas e exames regulares, além de hábitos saudáveis.

Destacou que o SUS é uma das políticas públicas mais bem elaboradas do mundo, funcionando com excelência na atenção em alta complexidade, mas que ainda precisa de aperfeiçoamento em demais áreas. Para tanto, sugeriu que os cidadãos busquem seus direitos para pressionar a melhoria do sistema.

Ao final, Shirley explicou que a Casa do Caminho é uma organização de iniciativa privada que tem o propósito de acolher integral e gratuitamente pacientes com câncer e outras doenças crônicas de alta complexidade e acompanhantes que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

A entidade não recebe verbas públicas e vive de doações, que podem ser feitas por débito a partir de R$ 10 na conta da Cemig ou por depósito bancário. A Casa do Caminho também recolhe alimentos, roupas, móveis, eletrodomésticos, entre outros itens, para venda em bazares. O trabalho voluntário também é bem-vindo.

Pessoas que tiverem interesse e puderem fazer doações podem entrar em contato por telefone (31 3586-3856) ou Whatsapp (31 9 9490-4522). A entidade envia um veículo para coleta.

Voluntária na Casa do Caminho, a defensora pública e gestora do Projeto “Sala de Espera”, Eliane Medeiros, convidou os presentes a visitaram a entidade, onde “você entra achando que vai ajudar e sai revigorado”.

“Quem quiser ajudar pode começar com orações, doações e voluntariado. Ali, na Casa do Caminho, conseguimos viver coisas maravilhosas. Não há dor incurável. Há a dor da solidão que, se puder ser dividida, pode ser curada”, finalizou Shirley Vieira.

Fonte: Ascom/DPMG (11/03/2020)



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